Segundo Debate

 

“Quero agradecer ao 2:1 Experience a oportunidade de expressar algumas opiniões em relação ao papel fundamental do design na estrutura organizacional, seja de pequeno, médio e principalmente grande porte.

Sou designer com habilitação em gráfico e produto, atuo a mais de 20 anos com mobiliário e penso que todos os designers devem ser estratégicos, devem ser preparados e voltados para a gestão e estratégia.

Conhecemos inúmeras metodologias para desenvolvimento de novos produtos que nos fazem chegar a uma decisão estratégica (em relação ao produto, embalagem, consumidores potenciais, etc), mas de fato o trabalho do designer como um todo ainda é “desconhecido” pela maioria das empresas, não esquecendo as que voltam sua atenção para este profissional e conseguem colher seus frutos distanciando-se das outras, isto não é uma coincidência.

A tomada de decisões nas empresas pelo designer está diretamente ligada ao entendimento que a mesma tem sobre o design e o papel que pode efetivamente ocupar na organização. A atuação de um grupo multidisciplinar coordenada pelo designer na empresa como ocorre em uma equipe do escritório de design também faz com que esta mudança aconteça gradativamente, mas para que tudo funcione é preciso que o grupo de diretores tenha esta noção clara e ofereça as condições necessárias para o surgimento saudável deste posicionamento, isto leva certo tempo, muitas situações negativas podem surgir e a paciência torna-se qualidade.

Tive a oportunidade de ouvir e aprender com professores fantásticos, que atuam no mercado há muito tempo e imagino quantas vezes tiveram de explicar para seus clientes todo o processo que utilizaram para chegar a uma conclusão definitiva sobre determinado problema de projeto.

Em certos casos, se o designer está na empresa não consegue aplicar o processo ideal de design, pois, as respostas devem ser rápidas, instantâneas e objetivas, da mesma forma um escritório de design pode realizar todo o processo, com mais ou menos tempo, o problema está em fazer com que a empresa entenda seu método, pois como não acompanhou todas as etapas, fica em dúvida sobre a decisão e custos apresentados para o projeto.

As escolas de design precisam oferecer aos estudantes a visão real de mercado e preparar estes indivíduos estratégicos, para que possam sentir-se a vontade com os percalços que fazem parte da profissão com estudos de casos, desenvolvimento de produtos para empresas reais, negociação de custos e prazos, bem como acompanhamento dos resultados.

Com certeza, o design que fazemos hoje estará muito diferente daqui a 15 anos, será uma necessidade aplicá-lo de forma consistente, além disto, precisamos que nossa profissão seja regulamentada para que tenha a devida importância e não seja comparada com outros tipos de design que vemos na esquina.

É valido também que o estudante de design receba orientações de como a sua imagem pode ser um fator determinante (gírias, nervosismo, insegurança, postura) para buscar seu espaço no mercado, pois, o seu posicionamento pode transmitir má interpretação na primeira impressão, o que conta mesmo são os resultados.

Imagino que estamos vivendo um momento de mudança, onde o profissional e o mercado estão cientes de que não há espaço para intuição, se faz necessária a participação do designer e cabe a ele expor como deve ser a sua atuação na organização, de quais recursos necessita e quais resultados pretende alcançar, com prazos definidos, buscando evolução estratégica contínua.” Fabio Glatz

 

“Em minha opinião, a melhor resposta para essa pergunta seria com outra pergunta. Será que os designers merecem mais abertura para decidirem, ou ainda melhor, será que estão aptos a tomarem decisões mais importantes e abrangentes?
Creio que atualmente, não. Na maioria dos casos – não há como, infelizmente, evitar generalizações neste aspecto – os designers possuem pouca ou nenhuma influência nas decisões estratégicas e relevantes das empresas. De modo geral, esta influência varia conforme as necessidades específicas de cada empresa, quanto maior a maturidade do mercado em termos de design, mais influência os designers terão na organização.
Uma empresa é o resultado do meio, ou seja, do seu mercado específico. Ela adapta-se conforme os seus concorrentes, conforme os seus clientes, conforme a sua tecnologia, objetivando tornar-se cada vez mais competitiva, mas raramente as lideranças vinculam esta “evolução” ao design propriamente dito. Este fenômeno ocorre porque vivenciamos uma realidade de extrema dificuldade, onde a concorrência tornou-se global, os recursos escassos e as soluções, obrigatoriamente, devem ser mais rápidas, mais baratas e mais extraordinárias. O design está no centro deste universo caótico.
Muitos executivos não se atentam para o fato de que o design é uma das formas de manter-se competitivo no mercado, o que não impediu o aumento da demanda por soluções de design devido à maior notoriedade da carreira. Mesmo assim, ainda existem muitos preconceitos envolvendo a profissão, vinculada com a imagem do artista irresponsável, que apresenta boas idéias, mas a custos extravagantes e em prazos inconcebíveis. Há que fazer-se uma reflexão e analisar até que ponto os designers colaboram com esta imagem do “egocêntrico criativo”, com este descrédito, aí se encontra uma das principais razões para os executivos, especialmente em situações de extremo risco, desconsiderarem a opinião dos designers.
O designer deve urgentemente derrubar o paradigma do fútil e da maquiagem. Precisa desenvolver e comprometer-se com objetivos mensuráveis dentro das organizações, para que tenham condições de demonstrar a sua relevância de uma forma corporativa, em termos de negócio. As empresas, especialmente as brasileiras, lutam para sobreviver diariamente e tendem a ignorar – em situações mais extremas, eliminar – o que consideram subjetivo. O designer precisa envolver-se com assuntos gerenciais, financeiros e estratégicos e têm que preparar-se para isso, debater com engenheiros e administradores, se não em igualdade de condições o que seria impossível, ao menos de forma digna e concreta. O design é a ciência do tudo.
Por outro lado, os executivos contemporâneos vinculam o sucesso de suas empreitadas com a quantidade de lucro alcançado em determinado projeto. Muitas vezes tudo é posto de lado em prol da lucratividade, o que além de ser imoral é a longo prazo, a ruína de uma empresa, pois produtos ruins, são produtos ruins, não deixam de sê-lo porque vendem mais ou menos. A mesma responsabilidade que o designer possui com relação a um produto, o mesmo envolvimento e comprometimento com o usuário daquele produto, os executivos deveriam possuir. O designer precisa ser mais executivo e os executivos, mais designers.
A forma mais assertiva de ampliação da influencia do designer nas decisões da empresa é conquistando a confiança das lideranças. Para isso, o designer precisa pertencer à alta direção, ampliar os seus horizontes, estar apto, porém sem nunca esquecer-se de sua essência. Se existe alguma vantagem desta profissão com relação às demais, é que ela propicia, de forma natural, a elaboração de análises holísticas, o que faz do designer um ótimo e almejado solucionador de problemas. Esta “facilidade”, aliada a compreensão de que o segredo do sucesso duradouro não está no “EU”, ou no “DESIGNER”, mas no “NÓS”, é a garantia não apenas da oportunidade de tomar as decisões, mas de tomar as decisões corretas.” Fabrício Lima

 

 

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