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Quarto Debate

Começo este texto recorrendo inicalmente a um breve restrospecto da história da Educação, pois entendo ser relevante para a ocasião. Com ele, espero conseguir contribuir com a discução criada, porém não tenho a pretenção de encerra-la, já que isto não seria possivel.

A formação em Design está diretamente relacionada às mudanças evolutivas pelas quais passou a Educação e a sua relação com o Trabalho. A partir do momento que a primeira passou a ser controlada pelo Estado (após o período renascentista), sua função se tornou estratégica, pois tinha que contribuir com o fortalecimento do próprio estado.

Com o avançar dos anos, na Revolução Industrial, a Educação deixa de formar para o Estado precisando agora capacitar profissionais cujas demandas são todas geradas pela indústria. Na sequência, temos o crescimento do Sistema Capitalista e, com ele, o advento da concorrência e a necessidade de saberes específicos para as diferentes áreas do conhecimento.  Neste cenário, mais uma vez a Educação se modifica, atendendo neste momento, não mais às necessidades da industria e sim às exigências do mercado de trabalho.

Todo este processo se reflete nas Universidades da mesma forma que na Educação e, portanto, na sua maneira de se portar perante a sociedade. Estas  agora agem como empresas e como tal necessitam de renda e recursos para continuarem atuando. Deste modo, começam a “vender” seus cursos com estratégias de Marketing oferecendo o sucesso profissional aos seus possíveis “clientes” (alunos). Temos assim a mudança do processo educacional para o mercado, para a “Educação mercado”, ou seja, a preocupação agora não é formar o aluno para a indústria ou para o mercado, e sim ter o aluno “cliente” na instituição.

Todo esse processo mercadológico da Educação, é facilmente percebido nos cursos de graduação em Design. Em 2009, de acordo com o Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa  Anísio Teixeira (INEP), haviam disponíveis no no Brasil 463 diferentes habilitações de Design tais como: Produto, Gráfico, Moda, Animação Digital, Interiores, Web Design, Design de Sapatos, de Jóias, Automotivo, Móveis, entre outros. Este é um claro exemplo que demonstra, que a preocupação não está na qualidade da formação do futuro designer , mas uma demanda de mercado.

É claro que existem Instituições sérias que oferecem ótimos cursos e com muita qualidade na formação de seus alunos. Eu mesmo tenho a sorte de hoje pertencer ao quadro de docentes de uma destas. Entretanto, já vivenciei o outro lado e posso afirmar que é muito complicado, principalmente para o aluno que na maioria das vezes, não teem a consciência do que acontece ao seu entorno. Muitas vezes este também não está preocupado com isso, mas esta é outra situação, outra discussão que precisamos ter.” João Carlos Vela

Não é possível e seria leviano de minha parte dizer, que as universidades brasileiras estão preparando bem, ou mal, os seus egressos. Mas, é possível afirmar que houve nestes últimos anos uma proliferação de Cursos de Graduação em Design e, dois fatores podem ser observados, um deles foi à facilidade do acesso aos cursos, principalmente nas instituições particulares, o outro se deu pela contratação de “professores despreparados” e com baixos salários. Outra questão mais fundamental reside nas práticas didático pedagógicas que cada escola utiliza em suas grades curriculares. Existem cursos com uma formação mais clássica do design e outros que adotam uma ênfase mais regional, baseada nas potencialidades de uma região, além daqueles que procuram trabalhar as práticas projetuais focadas em comunidades ou problemas de cunho mais social. O caminho são escolhas e o estudante é gestor e construtor de sua própria formação, o professor é um animador deste processo e muitas vezes, desempenha o papel de tutor na formação do aluno e indivíduo.

As escolas precisam melhorar? Claro! O ensino se faz por meio de dinâmicas fundamentadas em uma filosofia curricular, mas, nem sempre, todos os professores possuem um entendimento sobre o todo. Projetar é muito fácil, O Designer deve vivenciar o mundo real para projetar melhor e, isso é mais que uma boa idéia, é um pensamento mais contextualizado e focado em cenários, mas, não é o que vocês querem saber no momento, voltemos às vacas frias. Os processos de design não são eternos e avaliações em relação às experiências vivenciadas no mundo acadêmico e profissional devem acontecer com certa constância.

Uma aproximação maior da universidade junto às empresas e comunidades pode ser útil na melhoria da qualidade de ensino e tornar o futuro profissional muito mais habilitado para enfrentar situações reais. Desejo a todos muito empenho e sucesso em suas jornadas.” Célio Teodorico

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